terça-feira, 23 de outubro de 2007

Leite Adulterado...


As crianças procuram entender o mundo fazendo perguntas desconcertantes para os pais. Meu filho, ainda pequeno, perguntou-me o que eu achava do mundo, da natureza e da vida. Demorei um pouco para responder, ganhando tempo diante da repentina pergunta. Refleti um pouco e disse que achava o mundo maravilhoso, a vida uma dádiva, mas a organização material e o sistema de trocas, dinheiro, poder, uma engenharia humana de péssima qualidade. Claro, mesmo não sabendo apontar sistema melhor, mais inteligente e humano. A possível adulteração do leite é um exemplo emblemático. Todos os mamíferos, incluindo o homem, conhecem o leite desde seus primeiros dias de vida, uma fonte limpa de saúde, proteção e aconchego materno. Um líquido condutor de vida ligando gerações e aí está o ponto capital quando gananciosos, para auferirem lucros astronômicos, engendram adulterar tal fonte de sustento e de sobrevivência. Assim como pessoas que alteram fórmulas de pílulas anticoncepcionais, frustrando controles de natalidade, remédios contra AIDS ou câncer, traindo tratamentos e pacientes terminais. A lógica explica que estas atitudes tem como causa a vontade de possuir muito dinheiro, a qualquer custo, para comprar bens materiais como carros, casas, lanchas e outras coisas. Será que em nenhum segundo, por mais doentes que estas pessoas possam estar, quando ligam seus carrões, seus iates, não doem as consciências que podem ter matado ou contribuído para o sofrimento de milhares de pessoas ? A resposta para meu filho é que a vida é linda, mas algo de muito doente está acontecendo com a sociedade planetária.

sábado, 13 de outubro de 2007

O celular...


A tecnologia é capaz de nos fascinar, em um primeiro momento, quase como as magias medievais e seus magos. Rapidamente, as pessoas absorvem seus benefícios e a impressão que experimentamos é de que sempre existiu. A telefonia celular é razoavelmente recente na história da humanidade e poucas invenções humanas incorporou-se tanto no dia a dia do cidadão comum. Inegável sua utilidade e benefícios, embora ainda não tenha ficado claro possíveis efeitos colaterais na saúde. Já no convívio das pessoas pode-se observar fatos preocupantes. O casal da mesa ao lado que combinou um jantar à dois, depois de meses de tentativa, e cada qual agarrado ao seu celular falando com terceiros, a comida esfriando e a distância entre os dois só aumentando. A briga em público, em brados irados, comovendo e constrangendo o público a sua volta, a moça em prantos desesperadamente tentando reatar com seu namorado, a dilacerante notícia da morte de um ente querido que molhou o teclado com lágrimas teimosas e tantos outros exemplos de problemas e também soluções. Uma espetacular ferramenta para o bem ou para o negativo, dependendo do usuário e suas intenções. O limite de uso está novamente no equilíbrio. Na próxima vez que for jantar com alguém, desligue por uma ou duas horas seu aparelho, o mundo não vai acabar por isto e a pessoa ao seu lado ficará maravilhada de ser o centro das atenções. Afinal, para que serve tanta tecnologia se nos afastar das pessoas que amamos.

sábado, 6 de outubro de 2007

Vacas...



O fato é que vacas estão espalhadas pela nossa cidade. As crianças urbanas estão atualizando seus conhecimentos rurais e muitas experimentando seu primeiro contato extasiadas. Acho até que deveriam aproveitar a idéia e instalar galinhas, porcos e demais animais que outrora eram do convívio humano e hoje seres distantes do nosso olhar, mas perto do nosso prato e nas estantes do supermercado. Quem sabe, educativamente, instalar diversas vacas ao redor do planalto em cenas moralizantes e motivadoras da ética, da probidade e decoro não só parlamentar, mas moral e de caráter ? - Ludicamente, quando um político fosse realizar manobras sombrias, ao olhar pela janela, seria desencorajado por um bovino sóbrio e correto, por uma vaca perua, mas honesta. Temos tido problemas inclusive com a comercialização de rebanhos famosos. Precisamos urgentemente mostrar as nossas crianças, ao vivo, nossos animais domésticos e selvagens, antes que desapareçam, e aos adultos, cobrar a seriedade e o dever público evitando sermos "vacas de presépio", inertes nas esquinas ruminando gestões pífias e incompetentes.
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Márcio Mourão - mmvip@terra.com.br
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segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Idiomas...


O homem primitivo vivia em pequenas aldeias, com dialetos próprios e a comunicação transcorria de maneira natural e eficiente. Com o passar do tempo, sociedades complexas foram necessitando de um intercâmbio social e comercial exigente e os meios de transporte e comunicações resultaram em um mundo globalizado. Até uma moeda única global tem como berço experimental o mercado comum Europeu. Entretanto, os idiomas definidos como "Língua de uma nação ou região" por mestre Aurélio, ainda impedem o homem de se entender com seu semelhante em qualquer parte do Planeta. Esperanto e inglês, apesar de difundidos, ainda não alcançaram escala global e em todos os níveis sociais. Orgulho cultural, dominação econômica e vaidades das nações impedem que os povos possam interagir mais e, conhecendo-se como irmãos planetários, viverem talvez mais harmoniosamente. Duas gerações apenas, ensinando com seriedade e gratuidade na rede oficial, a língua pátria e a internacional, como instrumento de integração global. Guerra surge contra o inimigo estranho, paz brota entre pessoas e povos amigos.
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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Meu País...

A imagem de um país é captada pela qualidade de vida dos seus cidadãos. O Brasil hoje possui rodovias de péssima qualidade, ferrovias antigas e ineficientes, aviação em crise, hospitais públicos indignos com a pessoa humana, educação precária, segurança pífia, energia com fantasma de novo apagão e crise ética profunda. Nos últimos vinte anos, no mínimo, nenhum estadista digno da expressão. Até quando culparemos nossas origens de colonização ou erros de governos anteriores ? Até quando esta nação poderosa suportará a falta de caráter de seus homens públicos e a falta enorme de competência administrativa ? Chega de invejar as estradas da Alemanha, os trens da Europa, os hospitais públicos da Inglaterra. Nós podemos construir tudo isto aqui, basta acreditar no Brasil e deixar de trabalhar só em proveito próprio. Um grande estadista pergunta sempre, o que posso fazer pelo meu País e não o que minha Pátria pode fazer por mim.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

O automóvel...



O sonho do homem em deslocar-se com liberdade e agilidade evidencia-se desde os primórdios da civilização. Domesticar animais para o transporte e inventar máquinas cada vez mais rápidas e confiáveis fez do bípede um motorista ao redor do mundo. As metrópoles, como o Rio de Janeiro, cederam espaço, preferência e riquezas ecológicas para nossos carros, ônibus e caminhões. Possuir um carro, sonho dourado de consumo, símbolo de "status" e prestígio social. Hoje, lemos nas manchetes, como uma vitória da indústria e da economia, venda de automóveis "como nunca se viu neste País...". Claro está que se um número enorme de veículos passa a circular e poucos deixam de rodar, o colapso será breve. Sem contabilizar os problemas ecológicos de aquecimento global e poluição. Autoridades parecem desistir de qualquer tentativa de solução, talvez percebendo o óbvio, desestimular e concientizar que a propaganda enganosa do carro potente desfilando nos anúncios sempre sozinho nas ruas é um blefe, um suicídio urbano. Mais uma vez a espécie vai ter de perder a arrogância do individualismo para poder avançar e sobreviver nas nossas grandes cidades.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Vida virtual


A troca de experiências e emoções acompanha o Homem desde o tempo pré-histórico, onde já se deixavam pinturas rústicas dentro das cavernas. Hoje, com o computador, a comunicação instantânea entre as pessoas ao redor do mundo é fácil, rápida e barata. A sofisticação leva a cada dia mais pessoas viverem uma vida virtual, deixando de lado o encontro real com as pessoas. Uma ilusão de proximidade, que ameniza muita solidão. Entretanto, basta desligar o botão de energia e o aconchego se esvai, muitas vezes no meio da madrugada fria. Amigos e amigas On Line quase que permanentemente, deixando lá fora os riscos e perigos, mas também perdendo o calor de um olhar não cibernético, um abraço com cheiro, um beijo com gosto. Não se trata de uma visão pessimista da tecnologia, mas impor limites para não deixarmos de correr o maior e melhor risco, a perigosa aventura do contato humano, simples, antigo, mas fundamental.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Meu pai herói...

Meu pai morreu. Um fato corriqueiro. Uma quantidade imensa de pais morrem Mundo a fora. Mas desta vez foi diferente, foi meu pai. Inevitável lembrar das primeiras pedaladas inseguras escoltadas por mãos alertas, a primeira pipa empinada com o vento no rosto e a certeza da habilidade paterna, o barco à vela onde só braços fortes e adultos de papai podiam alcançar no lago, a primeira conversa séria de homem sobre criaturas estranhas chamadas mulheres, as primeiras voltas dirigindo o carro ainda em seu colo, a primeira medalha no Judô com um grito ao fundo de valeu campeão, a bronca, o castigo, o abraço, o cheiro, a piteira do cigarro, o simples olhar onde podia entender seu recado. Sempre presente, disponível, generoso, mesmo no ato de educar. Estranhamente pedia mais presença, participação mas, menino, adolescente, rapaz e homem, parecia não dispor de tempo para meu pai, afinal ele sempre estava lá mesmo, em sua casa. Hoje, tenho todo tempo do Mundo para sentir saudade das conversas, dos conselhos, das gargalhadas e dos momentos em família. Portanto, no dia dos Pais, e em qualquer dia do Ano, aproveite que seu pai está vivo e telefone, abrace, beije, releve mágoas, rancores, dúvidas e se reconcilie. Não perca mais tempo, faça já. Afinal, jamais saberemos quando nosso herói maior não estará mais em sua poltrona preferida, com seu jornal, cigarro e generosa sabedoria.

sábado, 28 de julho de 2007

Favelas em Expansão.


Favelas em Expansão:

O momento que vive a população da cidade é de grande apreensão. Uma autoridade policial do estado é escoltada rapidamente até seu veículo em ato de bravura, mas que desnuda a cruel realidade do poderio e supremacia marginal. Simultaneamente aos fatos, a imprensa divulga a real expansão de um tipo de moradia que desde seu início buscava ser provisória, mas que o tempo, a falta de dinheiro e abandono das autoridades, perpetuou-se como um lar indigno da cidadania. Defendo políticas de erosão gradativa das favelas, ou como tratam hoje, eufemisticamente, comunidades carentes. Dirão meus opositores, levaria anos, mas argumento, anos bem vividos onde contemplaríamos a população com o equacionamento de um problema crucial para a sociedade. Hoje, a cada dia que amanhece, o problema aumenta e pressiona a cidade como um tumor cancerígeno, alimentado pôr políticas tímidas e acovardadas. Terrenos da própria união e estado, verbas do meu imposto com casas simples, mas decentes e higiênicas, trabalho para os próprios moradores desempregados neste mutirão social e, principalmente uma virtude rara, honestidade no emprego dos recursos públicos e fiscalização. Vinte, trinta ou quarenta anos, mas um horizonte de esperanças para nossos filhos hoje adolescentes.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Uma adolescente...

Hoje emocionei-me em ler a carta da leitora Andrea Serramo, de apenas 12 anos. Tenho um filho de 16 anos e como dizer para a Andrea que já tenho 50 anos e as mesmas aflições, como explicar para a Andrea que no decorrer de uns 40 anos também espero melhorias, segurança, cidadania, respeito, dignidade. Como fazê-la entender que interesses diversos, ocultos, mesquinhos, se sobreponham ao interesse coletivo de bem estar e qualidade de vida. Como acenar para esta adolescente e mostrar um caminho de esperança e fé em sua cidade, se nossas autoridades só pensam em proveito próprio. Entretanto, menina, aos 50 ainda acredito e tento fazer algo e você, e todos da sua geração, nossa única perspectiva de dias melhores, mais amenos, fraternos e justos. Você pede ao Prefeito e Autoridades providências. Eu peço à você que não desista nunca, pois aí reina nossa última esperança.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Transporte Urbano.

O mundo civilizado discute o aquecimento global e suas causas. Iniciativas imediatas devem ser tomadas. Queimar menos combustível um imperativo. Nossos ônibus urbanos são desconfortáveis, barulhentos e conduzidos sem profissionalismo, salvo raras exceções. Duas realidades imperam. Catraca de poucos centímetros para pagamento dos passageiros e assaltos constantes. Para a primeira, sensores eletrônicos ligados a contadores digitais forneceriam um conforto adequado a seres humanos que hoje padecem para passar na roleta. Para a segunda, cada celular dentro do ônibus, com apenas um toque em tecla programada com 190, geraria um sinal GPS de localização onde a polícia imediatamente saberia, não só do fato, mas o veículo e local do crime. Ladrões evitariam a ocorrência diante da rapidez de ação. Medidas como estas e outras, incentivaria o cidadão a deixar seu carro na garagem e andar de coletivo. O meio ambiente agradece.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Pan-Americano...

A cidade do Rio de Janeiro, e seus moradores, ficam entusiasmados e felizes quando eventos importantes como o Pan-Americano acontecem aqui, destacando a nossa vocação para sediar grandes espetáculos esportivos, culturais ou mesmo ecológicos, como foi a Eco - 92. A economia e até a auto estima do carioca e visitantes só tem a lucrar. O que preocupa é que somente nestes momentos somos merecedores de melhorias, desde infra estrutura urbana, até a questão da segurança. Uma cidade reconhecida civilizada e equilibrada, vive o seu dia a dia com seus próprios recursos de impostos, atividade econômica constante e geração de empregos, com ou sem grandes eventos. Se assim não for, há algo de muito errado nas finanças do estado ou na utilização honesta dos recursos. Nasci aqui, pago meus impostos aqui e tenho a sensação que não mereço atenção, simplesmente por ser um cidadão carioca e necessito torcer por um evento internacional para que as autoridades façam o que deveriam fazer sempre, investir nosso dinheiro em melhorias e manutenção. Como todo brasileiro, adoro esportes; mas merecemos uma cidade melhor, simplesmente honrar a nossa cidadania.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Leão da Desigualdade.

Crônica publicada no "O Globo" edição de 27/04/06.

Leão da Desigualdade:

A minha existência como brasileiro e carioca completou 49 anos. Morador de Ipanema desde os 18 anos. Hoje, após preencher os Darf´s do Imposto de Renda pagando mais impostos, saí para jantar em restaurante da Rua Visconde de Pirajá, coração do bairro símbolo do País. Meu relógio informa 21:30 hs. Meu caminho a pé não contempla as garotas de ipanema, mas mendigos, moradores de rua, maltrapilhos dormindo sob marquises, bêbados e agressivas criaturas humanas que já desistiram de tudo, até da dignidade pessoal e familiar. Sacos de lixo formando montanhas enormes por recolher e o rosto com medo das pessoas apressadas para chegarem em casa. O matraquear das armas pode iniciar a qualquer momento, e as balas ditas perdidas poderão ser achadas no seu filho, na sua mãe ou no amigo vizinho. Consigo jantar e o alimento dói no meu estômago.
O presidente do meu País informa-me pela televisão, errando na concordância verbal e nominal, que está tudo bem e que a Copa do Mundo vai começar. Governador, prefeito, autoridades revelam que nada podem fazer, afinal já herdaram de governos passados e foram eleitos apenas para perpetuarem os equívocos, roubos e falcatruas. Nascí em Botafogo e sonhava morar em Ipanema, para vivenciar o clima lúdico do balanço das ondas, da festa simples e pacífica do bom viver. Hoje, um simples jantar no coração de Ipanema, deixa triste qualquer contribuinte.

sexta-feira, 2 de abril de 2004

Circo Brasil.

O primeiro contato de qualquer criança
com o circo é inesquecível. Todos guardamos
no íntimo aquela magia e excitação de uma
tarde vibrante, alegre e cheia de emoções,
regada a pipoca, algodão doce e refrigerante.
Hoje, quando paro o carro em um sinal vermelho
e pequenos palhaços, sujos, maltrapilhos, rostos
pintados do abandono, dobram-se numa atitude
de respeito e iniciam o seu número de balabarismo,
não posso deixar de pensar a que ponto chegamos
em nossa escalada civilizatória. Planos, verbas, Ong´s,
programas oficiais, nada chega lá nas esquinas onde
o real da vida acontece. Nossas crianças não precisam
mais esperar o domingo para ver o palhaço, a estátua,
o engolidor de fogo, a pirâmide dos pivetes famintos,
a cada sinal um número diferente do espetáculo do
crescimento cínico do nosso circo dos horrores.
Nossos dirigentes insistem em que não devemos
ter pressa, afinal estamos aguardando nosso País
ingressar no Mundo Civilizado desde que nascemos
e o show deve continuar. Os verdadeiros palhaços
neste início de milênio somos nós, cidadãos e con-
tribuintes.

segunda-feira, 25 de março de 2002

Esquinas do medo...


A rotina insuportável de delitos nos sinais da cidade continua.
Domingo, dia 24/03, 20:30 hs, sofrí a já tradicional ameaça do
ladrão abordando a janela do carro. Levou tudo que queria, mostrando
um volume suspeito pôr debaixo da camisa. A Avenida Nossa Senhora
de Copacabana, esquina de Figueiredo Magalhães, estava deserta de
policiamento e cheia de desocupados nas calçadas. Após duas voltas
no quarteirão, avistei uma viatura policial e informei a ocorrência
e o possível paradeiro do elemento. O policial perguntou-me se eu
o acompanharia na abordagem do marginal e se iria até a delegacia
registrar a ocorrência. Respondí que o dever do policial é a proteção
do cidadão, evitando a exposição do contribuinte junto aos marginais.
Já que estavam ausentes na hora e local do crime, que alertassem aos
demais veículos na área e procurassem uma pessoa com determinadas
características. Compreendí então, na prática, que a polícia só
patrulha se o cidadão exigir e se arriscar junto, no que deveria
ser a rotina normal da boa polícia. As autoridades precisam proibir
qualquer atividade junto aos sinais de trânsito. Cruzamento deve
ter somente automóveis, pedestres circulando e faixa de travessia,
já que pedir um guarda parece um luxo que meus impostos não pagam.
Ano de eleições, segurança na boca dos políticos e a prática das
ruas perversamente a mesma, até o asfalto inteiro tornar-se vermelho
de sangue.
Publicado no "Jornal O Dia" - Coluna "Caixa Postal".

quinta-feira, 27 de dezembro de 2001

Ficção e Realidade...

O desejo do homem em prever o seu futuro é tão
forte e antigo, quanto os filmes de ficção que ele
produz. Ainda viva em minha memória, a cena do
personagem principal chegando a uma cidade, no
futuro, onde um vendedor inescrupuloso tentava
vender água contaminada para os viajantes. O "mocinho"
saca do bolso um analisador portátil e verifica
a contaminação do produto. Hoje, início de milênio,
sinto literalmente na boca o gosto deste futuro. Mares,
lagoas, rios e alimentos contaminados, já convivíamos
resignadamente.A água tratada pela CEDAE era o
último reduto de confiança da população nas autoridades
e nas técnicas de purificação. Lógico parece que, de onde
se capta a água para beber, a sociedade como um todo
deve exigir um santuário ecológico.Não importa o custo
da retirada das empresas poluidoras ou o tratamento dos dejetos,
estamos falando do líquido mais precioso para vida humana.
A população deve exigir transparência nas análises, pois a
contaminação é democrática, atinge ricos e pobres.Gostaria
que a sociedade percebesse que o que está acontecendo não
é um filme de ficção e efeitos especiais, é a fonte da vida que
está sendo negociada por dinheiro e interesses. Só nós podemos
alterar os prognósticos sombrios dos filmes de ficção, ou beber
veneno no mais completo silêncio.

sexta-feira, 20 de julho de 2001

Sabedoria Infantil...

As estatísticas provam que vivemos em uma cidade
dividida. Algumas pessoas ostentando muito dinheiro
e a grande maioria da população sobrevivendo em
níveis miseráveis. Economistas, intelectuais, homens
e mulheres preparados com doutorados e especializações
só aumentam o abismo social. Acredito em uma atitude
de humildade em observar as crianças. Meu filho, de
dez anos, jogava seu "gameboy" de última geração e
um menino de idade semelhante, porém de uma origem
pobre, pediu para brincar um pouco. A ponte entre
os dois mundos foi trilhada em segundos, na luta
implacável contra o inimigo comum. Olhei para os
pés do menino e um chinelo velho contrastava com a
alegria dos seus olhos brilhantes. De uma certa
distância, percebí os filhos de realidades diferentes em total
harmonia. A mãe humilde me olhou de longe agradecendo,
devolví o olhar aprendendo com nossos filhos.
Comunidades emergentes criam muros, populações carentes
nutrem o ódio e a falta de esperança. As autoridades,
como as crianças, deveriam estar construindo pontes,
conduzindo com honestidade e seriedade a distribuição
dos bens materiais. Ainda há tempo, enquanto nossas
crianças brincam...

quinta-feira, 5 de abril de 2001

Drogas...

Hoje almocei com meu filho de dez anos
em seu colégio religioso. Nas paredes
dos corredores, trabalhos dos alunos
com imagens fortes das drogas e suas
consequências terriveis de dependência
e degradação. Durante a refeição uma
conversa franca com as crianças e a
certeza da idade vulnerável, algo entre
a inocência da infância e a curiosidade
do mundo adulto. Achei tão frágil a
tentativa dos professores e educadores
de proteger os meninos, frente ao
poderio bélico, financeiro e corrupto
do mundo das drogas. Beijei meu filho
e atravessei o pátio e, no último aceno
carinhoso, entendi que sou capaz de dar
a minha vida por ele e que todos os Pais
e Mães unidos contra o crime, formam um
exército pacifico indestrutivel.
Márcio Mourão: mmvip@terra.com.br

sexta-feira, 21 de julho de 2000

Justiça no Brasil...



Os arqueólogos estudam o Homem Primitivo e já conhecem
as armas rudimentares que usavam para caçar e entrar
em combate com seus semelhantes. Bastava acreditar em
um direito e a violência explodia na lei do mais forte
e capaz fisicamente. O tempo foi passando e a humanidade
criou regras de comportamento e convivência. A civilização
trouxe os princípios da Justiça como mediadora dos instintos
selvagens do ser humano. Acredita-se em um direito e busca-se
as instituições, evitando-se agredir o oponente como nas
cavernas. Hoje, no tempo do homem tecnológico, a Justiça é
lenta, ineficiente e injusta. O cidadão espera o tramitar
jurídico obediente, mas olhando para o machado de pedra e
identificando-se com seu antepassado mais longinquo.

sexta-feira, 9 de junho de 2000

Desemprego...

A minha adolescência e juventude foi de
muita leitura de todos os gêneros, inclusive
ficção científica. Os escritores previam um
futuro em que as máquinas substituiriam o
Homem em atividades repetitivas, perigosas
e sem criatividade. Hoje, um operador
bem treinado com um computador e robôs
montam centenas de automóveis; uma secretária
programa seu fax para o envio automático
e vai almoçar. O Homem conseguiu
ferramentas para trabalhar menos,
mantendo e aumentando a produção. A redução
da jornada de trabalho é uma conseqüência
lógica, desde que não se remunere
menos o trabalhador. Estamos na era do automatismo
e com a mentalidade trabalhista
do início da Revolução Industrial.

Márcio Mourão: mmvip@terra.com.br

quarta-feira, 24 de março de 1999

Avanços da Medicina...



Os avanços da medicina são inegáveis. A tecnologia, aliada ao conhecimento científico, leva a Humanidade a patamares de saúde e bem-estar nunca verificados anteriormente. Entretanto, lembro-me ainda de meu médico pediatra que, com seu simples estetoscópio e uma habilidade auditiva e sensorial, sempre foi preciso e correto nos diagnósticos. Hoje, os médicos dispõem de equipamentos moderníssimos, de última geração, e erram em casos simples e corriqueiros, de diagnósticos clássicos. Alguma coisa de grave está ocorrendo na formação dos médicos ou mesmo na conduta profissional. Paga-se cada vez mais caro e usufrui-se cada vez menos da competência daquele que, por juramento, deveria zelar por nossa saúde. Meu velho pediatra deve ficar surpreso quando hoje, com exames computadorizados, os médicos ficam perdidos para descobrir as enfermidades. A tecnologia é uma ferramenta que só bons profissionais, assim como o escultor e sua talhadeira, deveriam usar.