sábado, 28 de julho de 2007

Favelas em Expansão.


Favelas em Expansão:

O momento que vive a população da cidade é de grande apreensão. Uma autoridade policial do estado é escoltada rapidamente até seu veículo em ato de bravura, mas que desnuda a cruel realidade do poderio e supremacia marginal. Simultaneamente aos fatos, a imprensa divulga a real expansão de um tipo de moradia que desde seu início buscava ser provisória, mas que o tempo, a falta de dinheiro e abandono das autoridades, perpetuou-se como um lar indigno da cidadania. Defendo políticas de erosão gradativa das favelas, ou como tratam hoje, eufemisticamente, comunidades carentes. Dirão meus opositores, levaria anos, mas argumento, anos bem vividos onde contemplaríamos a população com o equacionamento de um problema crucial para a sociedade. Hoje, a cada dia que amanhece, o problema aumenta e pressiona a cidade como um tumor cancerígeno, alimentado pôr políticas tímidas e acovardadas. Terrenos da própria união e estado, verbas do meu imposto com casas simples, mas decentes e higiênicas, trabalho para os próprios moradores desempregados neste mutirão social e, principalmente uma virtude rara, honestidade no emprego dos recursos públicos e fiscalização. Vinte, trinta ou quarenta anos, mas um horizonte de esperanças para nossos filhos hoje adolescentes.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Uma adolescente...

Hoje emocionei-me em ler a carta da leitora Andrea Serramo, de apenas 12 anos. Tenho um filho de 16 anos e como dizer para a Andrea que já tenho 50 anos e as mesmas aflições, como explicar para a Andrea que no decorrer de uns 40 anos também espero melhorias, segurança, cidadania, respeito, dignidade. Como fazê-la entender que interesses diversos, ocultos, mesquinhos, se sobreponham ao interesse coletivo de bem estar e qualidade de vida. Como acenar para esta adolescente e mostrar um caminho de esperança e fé em sua cidade, se nossas autoridades só pensam em proveito próprio. Entretanto, menina, aos 50 ainda acredito e tento fazer algo e você, e todos da sua geração, nossa única perspectiva de dias melhores, mais amenos, fraternos e justos. Você pede ao Prefeito e Autoridades providências. Eu peço à você que não desista nunca, pois aí reina nossa última esperança.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Transporte Urbano.

O mundo civilizado discute o aquecimento global e suas causas. Iniciativas imediatas devem ser tomadas. Queimar menos combustível um imperativo. Nossos ônibus urbanos são desconfortáveis, barulhentos e conduzidos sem profissionalismo, salvo raras exceções. Duas realidades imperam. Catraca de poucos centímetros para pagamento dos passageiros e assaltos constantes. Para a primeira, sensores eletrônicos ligados a contadores digitais forneceriam um conforto adequado a seres humanos que hoje padecem para passar na roleta. Para a segunda, cada celular dentro do ônibus, com apenas um toque em tecla programada com 190, geraria um sinal GPS de localização onde a polícia imediatamente saberia, não só do fato, mas o veículo e local do crime. Ladrões evitariam a ocorrência diante da rapidez de ação. Medidas como estas e outras, incentivaria o cidadão a deixar seu carro na garagem e andar de coletivo. O meio ambiente agradece.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Pan-Americano...

A cidade do Rio de Janeiro, e seus moradores, ficam entusiasmados e felizes quando eventos importantes como o Pan-Americano acontecem aqui, destacando a nossa vocação para sediar grandes espetáculos esportivos, culturais ou mesmo ecológicos, como foi a Eco - 92. A economia e até a auto estima do carioca e visitantes só tem a lucrar. O que preocupa é que somente nestes momentos somos merecedores de melhorias, desde infra estrutura urbana, até a questão da segurança. Uma cidade reconhecida civilizada e equilibrada, vive o seu dia a dia com seus próprios recursos de impostos, atividade econômica constante e geração de empregos, com ou sem grandes eventos. Se assim não for, há algo de muito errado nas finanças do estado ou na utilização honesta dos recursos. Nasci aqui, pago meus impostos aqui e tenho a sensação que não mereço atenção, simplesmente por ser um cidadão carioca e necessito torcer por um evento internacional para que as autoridades façam o que deveriam fazer sempre, investir nosso dinheiro em melhorias e manutenção. Como todo brasileiro, adoro esportes; mas merecemos uma cidade melhor, simplesmente honrar a nossa cidadania.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Leão da Desigualdade.

Crônica publicada no "O Globo" edição de 27/04/06.

Leão da Desigualdade:

A minha existência como brasileiro e carioca completou 49 anos. Morador de Ipanema desde os 18 anos. Hoje, após preencher os Darf´s do Imposto de Renda pagando mais impostos, saí para jantar em restaurante da Rua Visconde de Pirajá, coração do bairro símbolo do País. Meu relógio informa 21:30 hs. Meu caminho a pé não contempla as garotas de ipanema, mas mendigos, moradores de rua, maltrapilhos dormindo sob marquises, bêbados e agressivas criaturas humanas que já desistiram de tudo, até da dignidade pessoal e familiar. Sacos de lixo formando montanhas enormes por recolher e o rosto com medo das pessoas apressadas para chegarem em casa. O matraquear das armas pode iniciar a qualquer momento, e as balas ditas perdidas poderão ser achadas no seu filho, na sua mãe ou no amigo vizinho. Consigo jantar e o alimento dói no meu estômago.
O presidente do meu País informa-me pela televisão, errando na concordância verbal e nominal, que está tudo bem e que a Copa do Mundo vai começar. Governador, prefeito, autoridades revelam que nada podem fazer, afinal já herdaram de governos passados e foram eleitos apenas para perpetuarem os equívocos, roubos e falcatruas. Nascí em Botafogo e sonhava morar em Ipanema, para vivenciar o clima lúdico do balanço das ondas, da festa simples e pacífica do bom viver. Hoje, um simples jantar no coração de Ipanema, deixa triste qualquer contribuinte.

sexta-feira, 2 de abril de 2004

Circo Brasil.

O primeiro contato de qualquer criança
com o circo é inesquecível. Todos guardamos
no íntimo aquela magia e excitação de uma
tarde vibrante, alegre e cheia de emoções,
regada a pipoca, algodão doce e refrigerante.
Hoje, quando paro o carro em um sinal vermelho
e pequenos palhaços, sujos, maltrapilhos, rostos
pintados do abandono, dobram-se numa atitude
de respeito e iniciam o seu número de balabarismo,
não posso deixar de pensar a que ponto chegamos
em nossa escalada civilizatória. Planos, verbas, Ong´s,
programas oficiais, nada chega lá nas esquinas onde
o real da vida acontece. Nossas crianças não precisam
mais esperar o domingo para ver o palhaço, a estátua,
o engolidor de fogo, a pirâmide dos pivetes famintos,
a cada sinal um número diferente do espetáculo do
crescimento cínico do nosso circo dos horrores.
Nossos dirigentes insistem em que não devemos
ter pressa, afinal estamos aguardando nosso País
ingressar no Mundo Civilizado desde que nascemos
e o show deve continuar. Os verdadeiros palhaços
neste início de milênio somos nós, cidadãos e con-
tribuintes.

segunda-feira, 25 de março de 2002

Esquinas do medo...


A rotina insuportável de delitos nos sinais da cidade continua.
Domingo, dia 24/03, 20:30 hs, sofrí a já tradicional ameaça do
ladrão abordando a janela do carro. Levou tudo que queria, mostrando
um volume suspeito pôr debaixo da camisa. A Avenida Nossa Senhora
de Copacabana, esquina de Figueiredo Magalhães, estava deserta de
policiamento e cheia de desocupados nas calçadas. Após duas voltas
no quarteirão, avistei uma viatura policial e informei a ocorrência
e o possível paradeiro do elemento. O policial perguntou-me se eu
o acompanharia na abordagem do marginal e se iria até a delegacia
registrar a ocorrência. Respondí que o dever do policial é a proteção
do cidadão, evitando a exposição do contribuinte junto aos marginais.
Já que estavam ausentes na hora e local do crime, que alertassem aos
demais veículos na área e procurassem uma pessoa com determinadas
características. Compreendí então, na prática, que a polícia só
patrulha se o cidadão exigir e se arriscar junto, no que deveria
ser a rotina normal da boa polícia. As autoridades precisam proibir
qualquer atividade junto aos sinais de trânsito. Cruzamento deve
ter somente automóveis, pedestres circulando e faixa de travessia,
já que pedir um guarda parece um luxo que meus impostos não pagam.
Ano de eleições, segurança na boca dos políticos e a prática das
ruas perversamente a mesma, até o asfalto inteiro tornar-se vermelho
de sangue.
Publicado no "Jornal O Dia" - Coluna "Caixa Postal".

quinta-feira, 27 de dezembro de 2001

Ficção e Realidade...

O desejo do homem em prever o seu futuro é tão
forte e antigo, quanto os filmes de ficção que ele
produz. Ainda viva em minha memória, a cena do
personagem principal chegando a uma cidade, no
futuro, onde um vendedor inescrupuloso tentava
vender água contaminada para os viajantes. O "mocinho"
saca do bolso um analisador portátil e verifica
a contaminação do produto. Hoje, início de milênio,
sinto literalmente na boca o gosto deste futuro. Mares,
lagoas, rios e alimentos contaminados, já convivíamos
resignadamente.A água tratada pela CEDAE era o
último reduto de confiança da população nas autoridades
e nas técnicas de purificação. Lógico parece que, de onde
se capta a água para beber, a sociedade como um todo
deve exigir um santuário ecológico.Não importa o custo
da retirada das empresas poluidoras ou o tratamento dos dejetos,
estamos falando do líquido mais precioso para vida humana.
A população deve exigir transparência nas análises, pois a
contaminação é democrática, atinge ricos e pobres.Gostaria
que a sociedade percebesse que o que está acontecendo não
é um filme de ficção e efeitos especiais, é a fonte da vida que
está sendo negociada por dinheiro e interesses. Só nós podemos
alterar os prognósticos sombrios dos filmes de ficção, ou beber
veneno no mais completo silêncio.

sexta-feira, 20 de julho de 2001

Sabedoria Infantil...

As estatísticas provam que vivemos em uma cidade
dividida. Algumas pessoas ostentando muito dinheiro
e a grande maioria da população sobrevivendo em
níveis miseráveis. Economistas, intelectuais, homens
e mulheres preparados com doutorados e especializações
só aumentam o abismo social. Acredito em uma atitude
de humildade em observar as crianças. Meu filho, de
dez anos, jogava seu "gameboy" de última geração e
um menino de idade semelhante, porém de uma origem
pobre, pediu para brincar um pouco. A ponte entre
os dois mundos foi trilhada em segundos, na luta
implacável contra o inimigo comum. Olhei para os
pés do menino e um chinelo velho contrastava com a
alegria dos seus olhos brilhantes. De uma certa
distância, percebí os filhos de realidades diferentes em total
harmonia. A mãe humilde me olhou de longe agradecendo,
devolví o olhar aprendendo com nossos filhos.
Comunidades emergentes criam muros, populações carentes
nutrem o ódio e a falta de esperança. As autoridades,
como as crianças, deveriam estar construindo pontes,
conduzindo com honestidade e seriedade a distribuição
dos bens materiais. Ainda há tempo, enquanto nossas
crianças brincam...

quinta-feira, 5 de abril de 2001

Drogas...

Hoje almocei com meu filho de dez anos
em seu colégio religioso. Nas paredes
dos corredores, trabalhos dos alunos
com imagens fortes das drogas e suas
consequências terriveis de dependência
e degradação. Durante a refeição uma
conversa franca com as crianças e a
certeza da idade vulnerável, algo entre
a inocência da infância e a curiosidade
do mundo adulto. Achei tão frágil a
tentativa dos professores e educadores
de proteger os meninos, frente ao
poderio bélico, financeiro e corrupto
do mundo das drogas. Beijei meu filho
e atravessei o pátio e, no último aceno
carinhoso, entendi que sou capaz de dar
a minha vida por ele e que todos os Pais
e Mães unidos contra o crime, formam um
exército pacifico indestrutivel.
Márcio Mourão: mmvip@terra.com.br

sexta-feira, 21 de julho de 2000

Justiça no Brasil...



Os arqueólogos estudam o Homem Primitivo e já conhecem
as armas rudimentares que usavam para caçar e entrar
em combate com seus semelhantes. Bastava acreditar em
um direito e a violência explodia na lei do mais forte
e capaz fisicamente. O tempo foi passando e a humanidade
criou regras de comportamento e convivência. A civilização
trouxe os princípios da Justiça como mediadora dos instintos
selvagens do ser humano. Acredita-se em um direito e busca-se
as instituições, evitando-se agredir o oponente como nas
cavernas. Hoje, no tempo do homem tecnológico, a Justiça é
lenta, ineficiente e injusta. O cidadão espera o tramitar
jurídico obediente, mas olhando para o machado de pedra e
identificando-se com seu antepassado mais longinquo.

sexta-feira, 9 de junho de 2000

Desemprego...

A minha adolescência e juventude foi de
muita leitura de todos os gêneros, inclusive
ficção científica. Os escritores previam um
futuro em que as máquinas substituiriam o
Homem em atividades repetitivas, perigosas
e sem criatividade. Hoje, um operador
bem treinado com um computador e robôs
montam centenas de automóveis; uma secretária
programa seu fax para o envio automático
e vai almoçar. O Homem conseguiu
ferramentas para trabalhar menos,
mantendo e aumentando a produção. A redução
da jornada de trabalho é uma conseqüência
lógica, desde que não se remunere
menos o trabalhador. Estamos na era do automatismo
e com a mentalidade trabalhista
do início da Revolução Industrial.

Márcio Mourão: mmvip@terra.com.br

quarta-feira, 24 de março de 1999

Avanços da Medicina...



Os avanços da medicina são inegáveis. A tecnologia, aliada ao conhecimento científico, leva a Humanidade a patamares de saúde e bem-estar nunca verificados anteriormente. Entretanto, lembro-me ainda de meu médico pediatra que, com seu simples estetoscópio e uma habilidade auditiva e sensorial, sempre foi preciso e correto nos diagnósticos. Hoje, os médicos dispõem de equipamentos moderníssimos, de última geração, e erram em casos simples e corriqueiros, de diagnósticos clássicos. Alguma coisa de grave está ocorrendo na formação dos médicos ou mesmo na conduta profissional. Paga-se cada vez mais caro e usufrui-se cada vez menos da competência daquele que, por juramento, deveria zelar por nossa saúde. Meu velho pediatra deve ficar surpreso quando hoje, com exames computadorizados, os médicos ficam perdidos para descobrir as enfermidades. A tecnologia é uma ferramenta que só bons profissionais, assim como o escultor e sua talhadeira, deveriam usar.

terça-feira, 29 de agosto de 1995

Polícia Inteligente...



UMA MANCHETE DE PERSEGUIÇÃO POLICIAL COM TIROS E FERIDOS ENTRE POPULARES FEZ-ME CONJETURAR. A POLÍCIA, NO PASSADO, NÃO ATUAVA PROMOVENDO PÂNICO NA POPULAÇÃO. A SERENIDADE E COMPETÊNCIA CONVERGIAM PARA A CHAMADA INTELIGÊNCIA POLICIAL. OS DELINQUENTES FUGIAM DEIXANDO RASTROS VISÍVEIS E SEGUROS PARA UMA POSTERIOR CAPTURAÇÃO. SEM TIROTEIROS, FERIDOS INOCENTES OU CORRERIAS DESASTROSAS. UM ÚNICO FERIDO ENTRE A POPULAÇÃO NÃO JUSTIFICA A RESPOSTA IMEDIATA, AINDA MAIS SE ESTÁ BALA FOR DO POLICIAL. ENTRETANTO, A CAPTURA DEVE SER SÓ UMA QUESTÃO DE TEMPO. O MARGINAL SÓ ATIRA PRESSIONADO, E ISTO SÓ DEVE OCORRER EM UM LOCAL ONDE OS CIDADÃOS ESTEJAM À SALVO. NÃO SOU PERITO POLICIAL, MAS SOU CONTRIBUINTE QUE QUER ESTAR À SALVO DAS BALAS DA POLICIA QUE AJUDO À MANTER...

quarta-feira, 28 de março de 1990

Atirador de Elite...


GOSTARIA DE ME SOLIDARIZAR, PUBLICAMENTE, COM A DOR E REVOLTA DA FAMÍLIA "CARINGI" NO EPISÓDIO BRUTAL EM QUE FALECEU "ADRIANA". RESSALTANDO NÃO CONHECER NINGUÉM DA FAMÍLIA, DESABAFO AQUÍ APENAS O QUE ME COMOVEU OBSERVANDO OS FATOS. A CONVICÇÃO DE QUE EXISTEM PROFISSÕES EM QUE, SIMPLESMENTE, NAO SE PODE FALHAR É CRESCENTE PARA MIM E UTÓPICA PARA MUITOS. ENTRETANTO, URGE UTILIZARMOS TREINAMENTOS EXAUSTIVOS E SISTEMÁTICOS NO INTUITO DE REDUZIRMOS AS FALHAS FATAIS. EU AQUÍ NÃO ME PRECIPITO AOS JULGAMENTOS E APURAÇÕES EM DILIGÊNCIA. O CHAMADO BOM SENSO, DEVE PREVALECER E SER COMUM A TODOS. INCLUSIVE AO LEIGO. A REPRESSÃO POLICIAL É IMPORTANTE ANTES, DURANTE E APÓS A OCORRÊNCIA. O QUE NÃO SE PODE ADMITIR IMPUNEMENTE É QUE A VÍTIMA DA VIOLÊNCIA TOMBE COM A BALA DA PRÓPRIA POLÍCIA, DE ELITE OU NÃO. O RISCO CALCULADO É CRIME QUANDO AINDA SE PODE AFROUXAR O CERCO, SEM DEIXAR DE SE PRESSIONAR PREVENTIVAMENTE O SEQUESTRADOR. APÓS A LIBERDADE DA REFÉM, AÍ SIM, TODA A "AÇÃO DE ELITE OU NÃO EM CIMA DELES". A MINHA DECLARAÇÃO ANTECIPADA DE NÃO ESPECIALISTA VEM NEUTRALIZAR FUTURAS CRÍTICAS TÉCNICAS. O PROFISSIONALISMO DA POLÍCIA ACABA, QUANDO AS MINHAS LÁGRIMAS DE CIDADÃO COMUM E PAGADOR DE IMPOSTOS PARA SEGURANÇA SE JUNTAM AS DO PAI, MÃE E TODAS AS PESSOAS QUE, UM DIA, POSSAM ESTAR NA MESMA SITUAÇÃO DE "ADRIANA CARINGI".

Poluição...



Os veículos movidos a diesel são os maiores poluidores do nosso dia a dia no
tráfego urbano. Ônibus e caminhões poluem nosso ar impunemente. Não sou especialista em petróleo, porém o bom senso indica que o problema não é só de violação do lacre ou má regulagem dos motores. A péssima qualidade do diesel foi comentada e abafada posteriormente, talvez por interesses impublicáveis. O cidadão carioca e o povo em geral só respira os gases tóxicos, escuta vez ou outra os "verdes" sobre o assunto e nada mais. Gostaríamos de ouvir a versão oficial da Petrobrás sobre o assunto. Respirar saudavelmente é direito de todos.

domingo, 5 de novembro de 1989

Sangue e Areia...


Domingo de sol em Ipanema e um alegre relato infantil ( ll h de 5/11/89): "Mamãe deixou-me muito alegre quando disse que íamos à praia naquela manhã bonita de sol e calor. "Acordei cedinho e já arrumei meus brinquedos, imaginando os mergulhos e castelinhos que faria na beira do mar. Corri rápido pela areia e escolhi logo um pedacinho de espaço naquela praia tão cheia de barraquinhas e toalhas coloridas. "Atirei minha camiseta longe e, mesmo com a bronca da minha mãe, não consegui resistir ao impulso de colocar logo meus pezinhos na água e sentir a areia molhada. "Minha mãe, preocupada, e sua amiga me chamavam gritando. Voltei para a toalha e logo percebi um barulho de bombinhas de festa de São João e uns garotos brincando de "pega ladrão". Eles corriam muito, uns atrás dos outros, e as pessoas da praia também resolveram brincar, todas deitando na areia e dando gritos esquisitos. "Minha mãe chamou o meu nome e depois deitou de costas, parecia dormindo... O barulho era muito grande e eu fiquei com muito medo. A tia começou a gritar e a chorar, olhando para minha mãe. "Mamãe, eu já cansei desta brincadeira e quero tomar um sorvete. Mamãe estava deitada dormindo e tinha uma mancha vermelha na barriga, que escorria na areia muito branquinha. "Um moço da praia levou ela nos braços lá pra rua e fiquei só com minha tia. Eu fiquei triste porque queria ficar mais na praia. Mamãe volta logo para que domingo que vem você me traga aqui na praia de novo para brincar de "pega ladrão" com esses meninos alegres de revólver em punho..."Eu, cidadão brasileiro e carioca, presente no momento selvagem do tiroteio e morte de Angela L. Machado, dedico esse relato infantil ao Presidente da República, ao Governador do Estado do Rio de Janeiro, ao Prefeito desta Cidade e a todas as autoridades responsáveis pela segurança e bem estar da sociedade brasileira.

sexta-feira, 26 de maio de 1989

Mulher...



O ônibus espacial americano "Atlantis", em seu último vôo, contava com uma astronauta em sua tripulação, a especialista Mary Cleave, da Nasa. O sucesso da missão orbital dependeu, em grande parte, da correta manutenção em um dos vários computadores de bordo do veículo espacial, realizada pela astronauta. A minha vida pessoal de analista de informática e na militância da engenharia dos processadores, permite uma reflexão lúcida dos conceitos e parâmetros do relacionamento entre os sexos, agora, também, no espaço. A complexidade técnica e a própria condição de astronauta conferem à mulher de hoje uma medida exata de suas potencialidades não só sensuais, mas do intelecto. Gostaria de deixar claro aqui que não vai nenhuma bandeira feminista, apenas o anseio de uma integração maior com esta mulher corajosa, capaz e inteligente. Homens de influência e projeção na nossa sociedade- os executivos - ainda projetam na mulher resquícios de um passado empresarial dominado pelos homens. Companheiras do prazer, a mulher mostra com competência que pode galgar a aventura humana também no intelecto e em qualquer outro campo do saber moderno. Parabéns a Mary Cleave. Parabéns a vocês, mulheres do Brasil. Não deixem nunca de ser mulheres.

sexta-feira, 24 de março de 1989

Praias...



Os freqüentadores das praias de Ipanema e Leblon agora podem usufruir de placas indicativas da qualidade da água do mar. Análises feitas pela Feema indicam cotidianamente a impropriedade e poluição já incorporadas ao dia-a-dia de cariocas e turistas. Entretanto, o dinheiro público gasto na confecção das placas, análises de laboratório freqüentes e a mão-de-obra para atualização dos letreiros não devolve, às pessoas e à natureza, o equilíbrio ecológico almejado. Informar a população sobre os riscos é correto e louvável, mas tentar forjar na opinião pública que a poluição é inevitável, e que o transceptor oceânico resolveu tudo, é ridículo. Um dos impostos mais caros da cidade, ao lado do metro quadrado mais caro do País, tudo acaba desaguando em esgoto. Testemunho, como morador de Ipanema há 15 anos, que jamais a orla maritima esteve tão degradada.