terça-feira, 22 de julho de 2008

Lei Seca...


Os veículos automotores são máquinas que ainda dependem das reações humanas. A automação governa grande parte das nossas atividades, inclusive aviões computadorizados e navios via GPS. Nossos carros ainda não. A Lei Seca pretende coibir a arrogância de que, alcoolizado, podemos dirigir prudentemente. A expressão "Beber Socialmente" sempre foi usada como forma de abrandar os efeitos do álcool, parâmetro etílico difícil de quantificar. Ampliando a visão do problema, captamos que se o indivíduo não está apto a dirigir, também não o estará para atravessar uma rua na faixa e com cuidado, gerando casos de atropelamentos e mortes. Difícil entender este custo benefício, o da bebida alcoolica, mas impossível polemicar com o prazer. Fato concreto é que menos desastres, menos mortes, menos espancamentos em casa e menos custo social para uma sociedade mais sóbria. Bafômetros e fiscalização são importantes, assim como policiais corretos e treinados. Entretanto, o melhor é compreender que podemos e devemos celebrar a vida, sem o entorpecimento de drogas lícitas ou ilícitas, degustando a vida e preservando a integridade do semelhante.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Polícia do Século XXI...


A verdade que emana do povo é sempre confiável, pois reflete troca de experiências reais e afastadas de interesses partidários, econômicos ou classistas. Difícil o cidadão hoje que não possui uma estória degradante envolvendo nossa Polícia. Instituição centenária que em outros tempos inspirava confiança, respeito e ética. Não raro nossos pais nos aconselhavam a procurar um policial em caso de apuros na rua, grande era a admiração da população. Hoje, aconselham cuidado com os marginais e cautela com a Polícia. Corporação mantida pelos cidadãos com missão nobre de proteger e acolher, hoje inspira medo e desconfiança. Como e em que momento chegamos a esta realidade ? Saio passeando em nossa cidade e torcendo para não ser assaltado ou abordado por policiais. Não é justo com a cidadania. Não é justo com a cidade. Não é justo com o pagamento de meus impostos. Profissionais corretos amargam a leitura destas linhas, eu sei. Infelizmente sendo vencidos e confundidos com a tal banda podre, metástase corporativa difícil de ser contida ou aniquilada. Quando uma sociedade rejeita, desconfia e deplora as forças do estado que, constitucionalmente, existem para protegê-la, algo de muito errado está ocorrendo na lógica do sistema. Ainda é tempo de acreditarmos em uma Polícia correta, ética e de confiança, basta que os discursos das autoridades harmonizem-se com o policial nas ruas, o profissional que está alí para ajudar o cidadão honesto e correto e não amedrontá-lo com condutas levianas.




segunda-feira, 9 de junho de 2008

Carta Magna...


Tribunal Regional do Trabalho da Primeira Região

Concurso Público

Prova Discursiva


Tema: "O Estado Democrático de Direito e a Igualdade de todos perante a Lei."

Aspectos a serem abordados:

* Constituição de 1988 e a defesa do ideal de cidadania;
* ...a igualdade como fundamento da Democracia;
* ...o Nepotismo como negação do espírito da cidadania.

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Os sentimentos de oportunidades iguais já caracterizavam nossos mais remotos ancestrais. No alvorecer da humanidade, mesmo sem qualquer polimento cultural ainda, homens e mulheres primitivos almejavam recursos naturais, comida e abrigo, no mínimo, igual ao seu semelhante.

Rusticamente, aos poucos, foi tecendo procedimentos "morais" de mérito e conduta, na medida em que a coesão do grupo e seu senso de justiça, garantiria certa paz social e sobrevivência. Começava aí a se delinear os pilares das cartas magnas, constituições modernamente calcadas nos ideais democráticos e da cidadania.

Nossa constituição de 1988, conhecida como cidadã, ecoa estes ideais democráticos e de cidadania que nossos hominídeos apenas rascunhavam e percebiam toscamente. Nosso berço civilizatório proclamava a lei do mais forte, sem igualdade de oportunidades. O Estado Democrático de Direito e a Igualdade de todos perante a Lei, realça luta política e ideológica permeando os tempos imemoriais. A prática Democrática Cidadã mostrou que mecanismos de ajuste e controle são necessários, visando conter favorecimentos aos parentes e familiares, em proveito próprio, atitude muito parecida ainda com nossos antepassados pré-históricos, onde prevalecia a força bruta e poder primal.

Uma Carta Magna justa e soberana, só funciona se refletir a alma e os ideais de um Povo.

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Totalizando 30 linhas manuscritas, máximo solicitado banca Cespe.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Um ato de amor...



Hoje assistia a uma aula e imagens antigas vieram a minha mente. Uma sala de aula, minha professora altiva e elegante, o quadro negro sujo de giz, meninos e meninas atentos, tímidos e ansiosos. Um cheiro de merenda no ar, o Atlas pesado e cheio de mistérios, a maçã da professora denunciando um presente infantil. O Mundo a ser descoberto, os mistérios da existência, a precisão dos números, o corpo humano, a química dos povos e a essência da cidadania nas mãos de um único profissional dedicado, a Tia que nos mostra a cultura da humanidade. Adulto, capto com certeza que ensinar é um ato de amor. Um gesto de amor por vezes difícil, trabalhoso e remunerado deficientemente, mas amor. A convicção plena de que, para ensinar, precisamos não só de conhecimento, mas a capacidade de doação, de amizade e carinho pelo sucesso de nosso aluno. A imensa responsabilidade de transmitir o saber para as novas gerações, deveria ser prestigiada com bons salários, reciclagens constantes e respeito social. Afinal, ser professor ou professora conscientes, é um ato de amor autruístico e insubstituível. Ainda estamos em tempo de resgatar a importância dos Tios e Tias em nosso País, antes que nossas crianças tenham como orientadores profissionais desmotivados e despreparados. A maçã repousa na memória, enquanto balas perdidas ameaçam as novas gerações de brasileiros nos bancos escolares. Hoje, apenas o amor e dedicação dos mestres sustentam a esperança. Até quando ?

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Celular ao volante...


Hoje presenciei uma cena lamentável. Em plena Avenida Atlântica, Copacabana, Rio de Janeiro, 11:30 hs. Embarquei em um ônibus comum urbano e o motorista estava em animado papo via celular. Uma senhora idosa acionou o sinal de parada e, ao tentar descer a escada de saída, o motorista não acionou a porta, distraído com a conversa ao celular. Pior, arrancou novamente sem que a idosa descesse. Gritos, pedidos em brados ao motorista e, finalmente, a pessoa desembarcou metros depois do seu ponto.........nenhuma reação efetiva dos passageiros, mesmo alguns indignados com o fato sabidamente proibido. E assim vamos, sem fiscalização das autoridades e sem repressão da própria sociedade, grupo interessado em última análise na segurança própria..........triste cidade, triste País.....

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Motorista de ônibus...


A necessidade das pessoas deslocarem-se para o trabalho e lazer na cidade do Rio de Janeiro, nos últimos anos, provocou um aumento de tráfego insuportável para a escala atual de fluxo e infra estrutura viária. A percepção da própria população que deve priorizar o transporte público, esbarra em uma realidade precária e desconfortável. Salvo meritórias exceções, os motoristas atuam de maneira irresponsável e violenta na condução do veículo, transitando em velocidades incompatíveis com a segurança e cautela de quem transporta crianças, idosos e portadores de necessidade especiais. Cotidianamente, a imprensa noticia que o profissional perdeu o controle do veículo causando ferimentos e mortes no trânsito. Basta uma pequena viagem pela cidade e observa-se o despreparo e arrogância de muitos condutores perigosos, impunes na grande maioria das ocorrências. Se pretendemos induzir conscientemente os cidadãos da importância vital da utilização do transporte público, obrigatoriamente temos de educar e punir profissionais que colocam em risco as pessoas diariamente. Motoristas e também as Empresas, algumas delas exigindo escalas desumanas e ilegais. Deixar o carro na garagem, não pode representar risco de acidentes para o cidadão contribuinte e colaborador na diminuição do caos urbano.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Concurso Público...



A Sociedade almeja honestidade e ética no Serviço Público. Com a desculpa que a relação candidato por vaga obriga a formulação de provas com "pegadinhas" e questões tipo "casca de banana", os Concursos Públicos pecam, já na sua origem, por selecionarem "mestres" em "pegadinhas", já transparecendo que a aprovação é dos mais espertos e não daqueles mais estudiosos e preparados. Acredito que o objetivo seria alcançado aprofundando a complexidade das questões, onde selecionaríamos os preparados dos aventureiros mantendo-se a ética das perguntas e não favorecendo aos "espertos". Conduta que visaria criar, desde o início da conquista do cargo, uma postura de seriedade e ética na gestão pública.

terça-feira, 11 de março de 2008

Atendimento ao Cliente...



Eu ligo para o atendimento ao cliente Motorola. Sua ligação é muito importante para nós, não desligue e fale ou tecle a opção desejada. Um para funções, dois para serviços e acessórios. Agora tecle um para celulares, dois para rádios. Por favor, aguarde, você será atendido. Música e propaganda nos ouvidos e a atendente pergunta; senhor, qual modelo do celular e é para funções ou serviços ? -- Eu optei por uns dez minutos para depois ser questionado sobre os mesmos ítens ? -- Falei dez vezes V3 para o reconhecimento de voz pedir desculpas, pedir para repetir, tudo eletrônicamente moderno ? -- Sou avisado também que nossa conversa estará sendo gravada, para provar em juízo esta conversa de doidos cibernéticos ? -- Saudade dos tempos que eu não era tão importante para eles, mas tinha meus problemas resolvidos rapidamente e com gostinho humano no atendimento.

sábado, 8 de março de 2008

Dia da Mulher...


Uma mulher chamada Aninha, formulou-me a pergunta:


O que você acha do dia internacional da mulher?


Minha resposta:


Aninha, acho muito justa a homenagem. As mulheres, realmente, estão se destacando em todos os campos do conhecimento humano. Entretanto, nós homens, estamos cada vez mais meio que acuados e desorganizados. Esta "paparicação" toda com a mulher, no bom sentido, está esquecendo que toda a criação contempla o macho e a fêmea. Claro, estou ciente da história onde a mulher foi subjugada e sacrificada. Mas hoje, estamos chegando às raias do revanchismo e isto não é bom para ninguém. Homens e mulheres ou Mulheres e homens (pra não chiarem...rs..rs..) devem viver em harmonia, juntando esforços intelectuais e emocionais para alcançarem juntos a real felicidade econômica, social e cultural. Vamos criar o "Dia Internacional do Homem" e depois o "Dia Internacional do Casal ?..........


terça-feira, 4 de março de 2008

Bicicleta...


A prefeitura do Rio de Janeiro acaba de fazer uma parceria com a SulAmérica no sentido de incrementar as ciclovias da cidade. Esportivamente, o povo agradece. Entretanto, querer vender ao povo que é a solução de transporte para a cidade, é patético e mentiroso. Uma cortina de fumaça para turvar a percepção geral de que a cidade está falida nos transportes públicos. Pavimentar as ruas corretamente, cobrar das empresas de ônibus melhorias e racionalidade nas linhas e trajetos, propiciar segurança aos passageiros, aumentar capacidade de passageiros do metrô e não só aumentar tarifa, racionalizar eletrônicamente a abertura e fechamento dos sinais, incentivar de fato o transporte coletivo propiciando conforto, pontualidade e segurança, são medidas sérias de um gestor público. Mencionar países não tropicais com trajetos curtos e empresas preparadas para acolher o trabalhador ciclístico de primeiro mundo, é leviano e longe da nossa realidade. Vamos parar de brincar com o sofrimento diário do trabalhador e estudar o problema com seriedade. O cidadão e eleitor agradece.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Reflexões de Domingo...



Domingo, 09:00 hs da manhã e o telefone toca.

Notícia de falecimento de uma pessoa querida, pessoal e profissionalmente.

A cena de ontem do meu advogado morto no caixão lembrou-me a última vez que estive naquele lugar. Meu pai inerte e coberto por flores. Visualizar a morte é sempre desconcertante. Caminhei junto aos familiares uns vinte minutos dentro do cemitério para sepultá-lo. Ia pensando sobre a precariedade da vida, onde advogados, médicos, lixeiros, vadios, juízes, etc.........ficam todos iguais..........no final..........

E aí me dá sempre aquela vontade de viver tudo, do melhor, do mais vibrante.....largar as aporrinhações da vida.......mas até para beber do melhor da vida, surgem as dúvidas........como aproveitar cada gota da existência..........acho que ficar o mais possível ao lado das pessoas que amamos...........

Reflexões de um domingo. Testemunha também do abandono que se encontra o Cemitério São João Batista, Botafogo, no Rio de Janeiro, onde a dor da perda soma-se ao desrespeito de um ambiente degradado e decadente.

Uma Cidade que perdeu sua dimensão humana, que até para enterrar seus mortos precisa resvalar na boçalidade capitalista, onde meus impostos não impedem os ossos expostos do meu semelhante desconhecido e pobre.

Mas é domingo, ainda temos o Faustão, Fantástico e Big Brother....

sábado, 1 de março de 2008

Anestesia...



A medicina de todos os tempos sempre encontrou na dor do paciente um inimigo difícil de ser administrado. Uma das maiores evoluções foi a descoberta da Anestesia. Alívio ao paciente e mais recursos para os médicos e cirurgiões. A Anestesiologia também evoluiu muito e hoje apresenta-se como alternativa segura e eficiente nas cirurgias e procedimento médicos. O cidadão que necessita dos serviços destes profissionais, precisa pagar à parte o custo da anestesia. Planos de saúde, via de regra, não cobrem tal despesa. A enfermeira, o cirurgião, o assistente, o hospital, a ambulância, todos fazem parte da estrutura médica para uma cirurgia. Os planos cobrem todos, menos o anestesista. Deixando de lado qualquer acordo jurídico, gostaria de entender o mérito deste procedimento. A classe importante e preparada dos anestesiologistas merecem um tratamento diferenciado dos demais profissionais de saúde ?
Do ponto de vista do paciente e consumidor, implica pagar pelo custo geral do procedimento, já que uma cirurgia sem anestesia é impensável nos dias atuais. Como dizia um humorístico antigo, perguntar não ofende, eu só quero entender.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Telemarketing...


O aparelho sonhado por Alexander Graham Bell proporcionou as pessoas o conforto e a eficiência da comunicação independente das distâncias e localização geográfica. Surgia uma necessidade, um fato urgente, simples saudade e a solução estava ao alcance de uma chamada telefônica. Junto com a nova tecnologia, comportamentos de respeito à privacidade evitando-se ligar em horários impróprios, salvo emergências. Desde então, a sociedade sofisticou-se e surgiram os chamados Telemarketing´s, onde mesmo sem a procura do cidadão, o produto ou serviço é oferecido de maneira invasiva, não solicitada e a qualquer hora do dia ou da noite. Incisivos, os operadores treinados na arte do convencimento a qualquer custo, culminam com a pergunta suprema, quando surpreendidos com irritabilidade e negativas. Qual o motivo de não comprar o produto ou serviço ? - Além da invasão domiciliar telefônica, parece ser imperdoável não sucumbir ao oferecido sem uma justificativa concreta. Acredito estar mais do que na hora de acabar com esta prática, criando regras onde o cidadão volte a ter paz em sua casa e volte a ser um consumidor ativo com poder de decisão de quando e como procurar o que deseja.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Desejos simples...


Uma reflexão sobre os desejos simples do cidadão brasileiro. O avião sair no horário combinado e anotado no bilhete, o hospital possuir um leito e um médico, a estrada ser conservada e sem buracos, o trânsito fluir com mínimo de normalidade, sair de casa à qualquer hora e voltar com sua integridade física e moral. O Presidente da República torna pública sua opinião de que o povo brasileiro já tem o básico. O cidadão comprou uma geladeira em doze prestações, mas seu filho estuda em uma escola pública precária, a mulher da comunidade comprou um celular novo, mas o esgoto corre em sua porta. Ano Novo sugere desejos, planos e realizações. Presidente, reflita sobre o que é básico para um povo, uma nação. Delírios de consumo são válidos para qualquer ser humano, mas cabe ao estado criar a estrutura básica e os serviços públicos funcionando com dignidade e eficiência. Um Feliz Ano Novo para um povo de desejos tão simples e líderes tão mesquinhos.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

O bom velhinho...


Olhava a esquina ao engraxar meu sapato na cidade, de frente para a rua, e ví um senhor bem idoso, bem maltrapilho, cabelos brancos, pedindo esmola entre os carros. Fim de tarde chuvosa, as pessoas dando a mínima, em meio a correria dos presentes de Natal, das guloseimas, e o velhinho alí, com um olhar perdido. Fiquei refletindo, enquanto a flanela lustrava meu sapato; exatamente em que momento da vida, ele desistiu, exatamente em que dia, ele parou de lutar, nasceu nú como nós, por mais miserável, alguma esperança de vida deve ter acontecido no seu nascimento. Abandonado, sobreviveu até os cabelos brancos. Não costumo dar esmolas, por acreditar que meus impostos devem suprir esta lacuna e não tenho culpa dos safados que desviam o dinheiro desta gente humilde, mas confesso que após o término do brilho no sapato, corrí para dar-lhe um pouco de atenção, mas já havia sumido na multidão frenética das compras de Natal. Imagine como é duro você parar um pouco e tentar adivinhar o que aqueles olhos sofridos esperam de uma noite como esta, em que a regra é o aconchego da família. Posso não ter tudo, mas hoje a noite terei um beijo carinhoso do meu filho, de minha mãe e de alguns bons amigos. Resolví pensar naquele velhinho hoje à meia noite, ele jamais saberá, mas terá dado um sentido divino ao meu Natal.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Alma carioca...



O ônibus de integração do metrô estava relativamente vazio. Um final de dia da semana como outro qualquer. Pessoas comuns, cenas corriqueiras e rostos vazios impacientes com o trânsito sempre caótico do anoitecer. Vozes, uma lamúria prevista de um trabalhador idoso reclamando do atraso do salário. Desembarque do ônibus, embarque no vagão do metrô. De repente um alarido adolescente, alegre, irreverente. Tentavam entoar trechos eruditos como um tenor pouco provável e desafinados. Olhei ao redor e as pessoas um pouco constrangidas com a demonstração gratuita de alegria, porém inábeis na afinação. Eis que ao fundo, surge uma voz precisa, forte e afinada, justamente do trabalhador lamuriante. Transformação imediata em cantor lírico competente, o vagão inteiro rendendo homenagens nas fisionomias ora alegres, ora surpresas. Até mesmo os sonolentos, os de péssimo humor começaram a se render com a alegria e o ritmo contagiante do cantor popular. Pessoas que jamais se viram, adolescentes e idosos, em uma harmonia expontânea, apesar das dores do cotidiano. Seria no metrô de Paris, Nova York ou no metrô carioca mesmo, que apesar de um povo sofrido, ainda damos um banho de humanidade.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Crimes virtuais...


Acredito que a sociedade deva iniciar um movimento de conscientização e pressionar nossas autoridades no sentido de criar novas exigências para o uso da internet. Os argumentos de privacidade e liberdade esbarram na facilidade com que criminosos estragam vidas alheias sem nenhuma, ou quase nenhuma, chance de defesa. A pessoa correta não teme, por exemplo, identificar-se em uma lan house ou mesmo em um site bancário com CPF ou IFP, desde que isto possibilite a polícia técnica em crimes virtuais isolar um criminoso. Hoje, cometem delitos e escondem-se nas sombras dos bits. Autoridades, juristas, engenheiros de informática, empresas de computadores e softwares, precisam criar ferramentas de proteção ao cidadão honesto e correto, mesmo porque não podemos mais evitar nossas vidas na malha virtual, seja nos bancos, nos computadores dos governos, no comércio, na Receita Federal. Evitamos nos expor, ficamos na ilusão de que conosco não vai acontecer, como as doenças, acreditamos que só acontece com os outros, até que a casa cai e sentimos na pele a dor e a impotência de uma difamação, de um roubo virtual ou mesmo um assassinato. Nós, humanos, criamos a máquina, o micro; é uma ferramenta do nosso tempo, soluções do nosso tempo, problema do nosso tempo. Não adianta fugir, fingir que não existe, usar só caneta bic; temos é que exigir das autoridades que se debrucem no problema. Criamos o monstro, temos que dominá-lo com inteligência e agilidade. O descrédito na confiabilidade do sistema pode inviabilizar uma das invenções humanas mais fantásticas com fins nobres, mas dominadas por mãos criminosas.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Leite Adulterado...


As crianças procuram entender o mundo fazendo perguntas desconcertantes para os pais. Meu filho, ainda pequeno, perguntou-me o que eu achava do mundo, da natureza e da vida. Demorei um pouco para responder, ganhando tempo diante da repentina pergunta. Refleti um pouco e disse que achava o mundo maravilhoso, a vida uma dádiva, mas a organização material e o sistema de trocas, dinheiro, poder, uma engenharia humana de péssima qualidade. Claro, mesmo não sabendo apontar sistema melhor, mais inteligente e humano. A possível adulteração do leite é um exemplo emblemático. Todos os mamíferos, incluindo o homem, conhecem o leite desde seus primeiros dias de vida, uma fonte limpa de saúde, proteção e aconchego materno. Um líquido condutor de vida ligando gerações e aí está o ponto capital quando gananciosos, para auferirem lucros astronômicos, engendram adulterar tal fonte de sustento e de sobrevivência. Assim como pessoas que alteram fórmulas de pílulas anticoncepcionais, frustrando controles de natalidade, remédios contra AIDS ou câncer, traindo tratamentos e pacientes terminais. A lógica explica que estas atitudes tem como causa a vontade de possuir muito dinheiro, a qualquer custo, para comprar bens materiais como carros, casas, lanchas e outras coisas. Será que em nenhum segundo, por mais doentes que estas pessoas possam estar, quando ligam seus carrões, seus iates, não doem as consciências que podem ter matado ou contribuído para o sofrimento de milhares de pessoas ? A resposta para meu filho é que a vida é linda, mas algo de muito doente está acontecendo com a sociedade planetária.

sábado, 13 de outubro de 2007

O celular...


A tecnologia é capaz de nos fascinar, em um primeiro momento, quase como as magias medievais e seus magos. Rapidamente, as pessoas absorvem seus benefícios e a impressão que experimentamos é de que sempre existiu. A telefonia celular é razoavelmente recente na história da humanidade e poucas invenções humanas incorporou-se tanto no dia a dia do cidadão comum. Inegável sua utilidade e benefícios, embora ainda não tenha ficado claro possíveis efeitos colaterais na saúde. Já no convívio das pessoas pode-se observar fatos preocupantes. O casal da mesa ao lado que combinou um jantar à dois, depois de meses de tentativa, e cada qual agarrado ao seu celular falando com terceiros, a comida esfriando e a distância entre os dois só aumentando. A briga em público, em brados irados, comovendo e constrangendo o público a sua volta, a moça em prantos desesperadamente tentando reatar com seu namorado, a dilacerante notícia da morte de um ente querido que molhou o teclado com lágrimas teimosas e tantos outros exemplos de problemas e também soluções. Uma espetacular ferramenta para o bem ou para o negativo, dependendo do usuário e suas intenções. O limite de uso está novamente no equilíbrio. Na próxima vez que for jantar com alguém, desligue por uma ou duas horas seu aparelho, o mundo não vai acabar por isto e a pessoa ao seu lado ficará maravilhada de ser o centro das atenções. Afinal, para que serve tanta tecnologia se nos afastar das pessoas que amamos.

sábado, 6 de outubro de 2007

Vacas...



O fato é que vacas estão espalhadas pela nossa cidade. As crianças urbanas estão atualizando seus conhecimentos rurais e muitas experimentando seu primeiro contato extasiadas. Acho até que deveriam aproveitar a idéia e instalar galinhas, porcos e demais animais que outrora eram do convívio humano e hoje seres distantes do nosso olhar, mas perto do nosso prato e nas estantes do supermercado. Quem sabe, educativamente, instalar diversas vacas ao redor do planalto em cenas moralizantes e motivadoras da ética, da probidade e decoro não só parlamentar, mas moral e de caráter ? - Ludicamente, quando um político fosse realizar manobras sombrias, ao olhar pela janela, seria desencorajado por um bovino sóbrio e correto, por uma vaca perua, mas honesta. Temos tido problemas inclusive com a comercialização de rebanhos famosos. Precisamos urgentemente mostrar as nossas crianças, ao vivo, nossos animais domésticos e selvagens, antes que desapareçam, e aos adultos, cobrar a seriedade e o dever público evitando sermos "vacas de presépio", inertes nas esquinas ruminando gestões pífias e incompetentes.
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segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Idiomas...


O homem primitivo vivia em pequenas aldeias, com dialetos próprios e a comunicação transcorria de maneira natural e eficiente. Com o passar do tempo, sociedades complexas foram necessitando de um intercâmbio social e comercial exigente e os meios de transporte e comunicações resultaram em um mundo globalizado. Até uma moeda única global tem como berço experimental o mercado comum Europeu. Entretanto, os idiomas definidos como "Língua de uma nação ou região" por mestre Aurélio, ainda impedem o homem de se entender com seu semelhante em qualquer parte do Planeta. Esperanto e inglês, apesar de difundidos, ainda não alcançaram escala global e em todos os níveis sociais. Orgulho cultural, dominação econômica e vaidades das nações impedem que os povos possam interagir mais e, conhecendo-se como irmãos planetários, viverem talvez mais harmoniosamente. Duas gerações apenas, ensinando com seriedade e gratuidade na rede oficial, a língua pátria e a internacional, como instrumento de integração global. Guerra surge contra o inimigo estranho, paz brota entre pessoas e povos amigos.
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